UM POUCO DE NOSSA HISTÓRIA

A Associação Paulista de Belas Artes, também identificada pela sigla APBA, é uma entidade sem fins lucrativos, fundada em 20 de março de 1942 e declarada de utilidade pública. Sua missão consiste em propagar o ensino da arte.

FUNDAÇÃO

Tudo começou no início do outono de 1942. Os artistas Torquato Bassi, João Del Nero, Juarez de Almada Fagundes, Ricardo Cipicchia, Roque De Mingo, Eurico Franco Caiuby, Lázaro de Freitas, João Batista Ferri, José Torres, Luiz Atilio Ferrible Fiori, Luiz Verri, Maurício Fetel, Mario de Campos Pacheco, Dr. Virgilio Delamonica, e José Maria da Silva Neves, reunidos no Bar Ao Franciscano, decidiram criar uma entidade que reunisse os figurativos e que os permitisse exercitar e aprimorar suas técnicas com pintura in loco, sem a utilização de recursos artificiais como a fotografia, projeção, etc.

A nova entidade deveria, também, ser uma instituição aberta aos artistas, independente de sua classe social, etnia, opção religiosa, ou formação pedagógico-profissional, já que as academias existentes em São Paulo e Rio de Janeiro privilegiavam as classes mais abastadas. Para o grupo era mais que fundamental o surgimento da instituição que impulsionasse as belas artes, em face da nova onda modernista que ganhava força com a verticalização da arquitetura paulista, que na época rompia com os padrões clássicos e as tendências européias. E foi durante aquele bate-papo informal que nasceu a Sociedade dos Artistas de São Paulo. A ata da fundação foi registrada em um papel timbrado do próprio restaurante.

Aqueles artistas novamente se encontraram no dia 14 de maio do mesmo ano, na sede da Escola de Belas Artes de São Paulo, localizada na rua Onze de Agosto, para eleger a nova diretoria. Compareceram nessa reunião Acácio F. Gouveia, Alberto Frisor, Alberto Emilio Naddeo, Alvaro de Mello Barros, Antonio Caringi, Antonio Tavares de Oliveira, Clodomiro Amazonas, Djalma Urban, Edmundo Migliaccio, Edwirges Jacobuschi, Helio Coloccioni, Inocêncio Vilhegas, Inocêncio Borghesi, Luiz Guerin, Luiz Morrone, João Scuotto, José Cucê, e Roque de Chiaro.

Naquela data foi eleita a primeira diretoria. Presidente: Eurico Franco Caiuby; Vice-presidente: Honório Alvares Penteado; 1º secretário: Alvaro de Mello Barros; 2º secretário: Alberto Naddeo; 1º tesoureiro: Mário C. Pacheco; 2º tesoureiro: Roque de Mingo; Conselho Fiscal: José Maria da Silva Neves, João Baptista Ferri, João T. de Araújo, João Del Nero, Eduardo O. Pirajá, José Cucê, Juarez Almada Fagundes, Torquato Bassi, e Rafael Falco.

HISTÓRICO

Em 02 de junho de 1942, a entidade já constituída como Associação Paulista de Belas Artes, recebeu os 52 sócios fundadores em sua primeira sede à Rua São Bento, 405, sala 926, no 9º andar do edifício Martinelli, no centro da capital de São Paulo, onde foi aprovado o primeiro estatuto.

Em 14 de setembro, a Associação recebeu o seu primeiro emblema. O desenho foi escolhido por meio de concurso, vencendo o artista Reyaldo Manzke, a quem coube o prêmio de cinquenta cruzeiros.

A primeira exposição coletiva da APBA ocorreu em 19 de junho de 1943, com o apoio do prefeito Prestes Maia, que cedeu o espaço da Galeria Prestes Maia e financiou a impressão dos catálogos.

Em 20 de março de 1944, a sede da Associação foi transferida para o quinto andar da Casa das Arcadas, situado à rua Quintino Bocaiuva, também na região central de São Paulo. Entre as atividades da APBA, destaca-se a contribuição com o governo do Estado de São Paulo na realização do Salão Paulista de Belas Artes.

Em 1953, a APBA, com aporte do interventor Fernando Costa, comprou a atual sede própria, situada à rua Conselheiro Crispiniano, também na região central de São Paulo.

MODELO VIVO E PINTURA NO CAMPO

Desde que foi instituída, a Associação Paulista de Belas Artes mantém, sem interrupção, as sessões semanais de modelo vivo para artistas profissionais, que, segundo o boletim informativo da entidade, “educa a vista, adestra a mão, apura o gosto e desenvolve a inteligência…”. 

Outro diferencial da entidade é o exercício da pintura no campo, praticada pela APBA desde o surgimento, com a promoção de excursões artísticas em diversos pontos retratáveis do Estado de São Paulo e adjacências. As paisagens, retratadas in loco pelos artistas, além de aprimorar a técnica individual e desenvolver a acuidade visual, também vêm contribuindo para documentar as mudanças dos cenários transformados ao longo das décadas em decorrência do progresso, do crescimento populacional e do consequentemente avanço imobiliário. Das áreas rurais dominantes nos arredores da capital Paulista na década de 40 (como Tatuapé, Canindé, Santo Amaro), restam apenas alguns quadros retratados pelos artistas da época. As matas e rios deram lugar a ruas, avenidas e construções verticalizadas que compõem a metrópole da América Latina.

GALERIA

Formar uma galeria com 19.850 nomes de todos os artistas inscritos na Associação Paulista de Belas Artes, demandaria uma extensa pesquisa. Ainda assim poderíamos incorrer no erro de deixar de citar algumas dessas importantes figuras-associadas que contribuíram para a estabilização da entidade por mais de 72 anos. Nos livros de registros constam nomes de artistas que participaram do Grupo Santa Helena e da Família Artística Paulista, entre eles Mário Zanini, Alfredo Volpi e Fulvio Pennacchi.

A seguir são mencionados alguns nomes de artistas renomados que passaram pela APBA: Anita Malfatti, João Baptista Ferri, Nicola Petti, Luiz Verri, Durval Pereira, Arcângelo Ianelli, Takai, Ettori Frederig, Vicente Di Grado, Antonio Eugenio Pascotto, Túlio Mugnaini, Glicério Geraldo Carnelosso, Reynaldo Manske, Fang, Manoel Navarro, Salvador Rodrigues Jr., Salvador Santistebam, José Quirino, Colette Pujol, Ângelo Simeone, Adolfo Fonzari, Nicola Petti, Francesco Parlagreco, Domingos Antequera, Antonio Arena, Gaetano De Gennaro, Pedro Bruno, Fausto Saule, Sofia Tassinari, Gerino Grosso, Luiz Sacilotto, Arlindo Castelani, Dario Mecatti, Luiz Bruno da Silva, Marcelo Grassmann, Odetto Guersoni, Cymbelino de Freitas, Dario Machado de Oliveira, Vicente Caruso, Italo Cencini, Laszlo Zinner, João Simeone, Nestor Peres, Thomaz Ianelli, Loris Foggiatto, Luis Martin Sarasá, entre outros.

Presidiram a APBA: Cymbelino de Freitas, Juarez de Almada Fagundes, Eurico Franco Caiuby, Dario Machado de Oliveira, Marrey Luiz Peres, Ricardo Grandini, Theodoro Meirelles, Nestor Schnetzler, Gastão A. de Assis Pacheco, Antonio Bernardes, Walter Handro, Mauricio Ferreira. José Carlos Acerbi está na sexta gestão. Afastou-se da diretoria em 1997 e retornou à presidência em 2011. Foi reeleito para o biênio 2013-2015.

A Associação Paulista de Belas Artes possui um quadro de orientadores de alto padrão, ministrando cursos para iniciantes e veteranos: Ana Cânfora, Fábio Haibara, José Carlos Acerbi, Carmelo Gentil, Fadel, Luiz Alberto (Mendes Junior), Ademir Trindade e João Alves.

ESTATUTO DA ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE BELAS ARTES

TÍTULO I – Da Associação e seus fins

CAPÍTULO ÚNICO

Artigo 1o ¾ A Associação Paulista de Belas Artes, fundada em 20 de março de 1942, é uma associação declarada de Utilidade Pública pelo Decreto Federal nº 23.460, de 02/08/1947, com foro na cidade de São Paulo, onde mantém sua sede, na rua Conselheiro Crispiniano, nº 53, 13º andar, conjunto 131. As finalidades da Associação são exclusivamente as seguintes:

I­ – Promover a união dos artistas brasileiros e estrangeiros domiciliados neste Estado, sem distinção de credos políticos ou religiosos, de tendências artísticas ou escolas.

II – Trabalhar em prol da educação artística do povo, despertando o interesse pelas Belas Artes, organizando e estimulando exposições de Arte e outras formas de divulgação dos grandes mestres da pintura brasileira.

III – Cuidar de interesses dos artistas em geral e especialmente dos seus associados.

IV – Manter Sessões de Modelo Vivo e ensino livre de Arte.

V – Publicar quando possível um Informativo sobre as atividades da APBA, contendo assuntos de interesse da classe, propaganda da Associação, currículo dos artistas em geral, etc.

VI – Promover reuniões sociais, excursões artísticas e exposições de Arte entre seus associados.

VII – Instalar, em sua sede, uma biblioteca especializada.

VIII – Auxiliar os Poderes Públicos todas as vezes em que for solicitada, apresentando sugestões e opinando sobre tudo o que diz respeito às Artes Plásticas, conservação de relíquias históricas e do patrimônio artístico da Capital de São Paulo.

IX – A Associação terá em seu quadro social associados que, se o desejarem, terão ensino livre especializado das artes plásticas, com orientação de artistas sempre associados da APBA.

X – Criar cursos especializados para o ensino e aprimoramento das artes plásticas.

  • ÚNICO – Para esses fins, além de sua sede mantida no centro da Capital Paulista, a APBA poderá, também, manter dependências em qualquer local desta cidade e em cidades do Interior do Estado de São Paulo, tendo em vista o melhor atendimento aos seus associados.

Artigo 2º – A Associação Paulista de Belas Artes não tem finalidade econômica; não distribuirá, portanto, dividendos aos seus associados. Todos os seus proventos serão destinados à manutenção de suas próprias instalações e serviços, e à constituição e aumento do patrimônio da Associação.

Artigo 3º – É vedada à Associação qualquer manifestação política, religiosa, sócio-econômica e de preconceito racial.